Percepção da fertilidade: Parte 5 – Contraceptivos e suas taxas de falha

Taxa de falha dos contraceptivos

A pílula e a camisinha são provavelmente os contraceptivos mais famosos, mas você sabe qual é a taxa de falha delas? E dos outros contraceptivos? Aliás, será que você conhece todos os contraceptivos disponíveis hoje?

 

Este post é a parte 5 da série Percepção da Fertilidade; se você não viu ainda, aqui está a parte 1, que explica o que é a percepção da fertilidade (e porque ela é MUITO interessante)! Também recomendo ver a série “Lá embaixo”, que descreve o sistema sexual e reprodutor feminino.

No último post, nós vimos o funcionamento básico do método sintotermal, mas ficou a dúvida: qual é a taxa de falha do método sintotermal?

Aliás, qual é a taxa de falha dos outros contraceptivos?

Parando pra pensar… Será que nós sequer conhecemos todos os contraceptivos disponíveis hoje?

Pois é. E como vamos fazer uma escolha, sem conhecer nossas opções? Por isso, neste post, veremos a taxa de falha de todos os contraceptivos.

 

Isso funciona mesmo?

Quando falamos de um contraceptivo, queremos saber se ele funciona mesmo, e quão bem ele funciona.

Mas antes, é importante entender alguns conceitos.

 

Uso perfeito e uso típico

 


Uso perfeito é quando o contraceptivo é usado sempre, e de forma correta.

Uso típico é quando o contraceptivo NÃO é usado sempre, e/ou NÃO é usado de forma correta.


 

Cada contraceptivo tem as suas instruções, as suas regras de uso. Todas elas têm que ser seguidas, sempre, pra ter o uso perfeito.

Exemplo: digamos que seu contraceptivo é a camisinha masculina.

Você armazena as camisinhas em local protegido do sol, calor, e atrito. Você usa camisinha em todas as relações sexuais. Você não tem nenhum contato entre pênis e vulva/vagina sem colocar a camisinha, verifica a validade e o estado da embalagem, abre a embalagem com os dedos (sem usar nenhum objeto cortante ou perfurante), coloca a camisinha no pênis ereto apertando o reservatório (a pontinha) e desenrolando até a base do pênis, usa lubrificantes adequados pro material da camisinha, o pênis é retirado da vagina logo após a ejaculação do homem (ainda ereto) e segurando a base da camisinha ao retirar, a camisinha é retirada do pênis cuidadosamente (e amarrada com um nó e descartada no lixo) e longe da vulva/vagina, pra cada relação (e ejaculação masculina) você usa uma camisinha diferente, você NÃO combina camisinha masculina com outra camisinha (feminina ou masculina) numa mesma relação.

Se você faz tudo isso, sempre, você faz uso perfeito da camisinha masculina. Se você não faz tudo isso, ou faz tudo isso um dia, e no outro não (“ah, deixa pra lá, isso é só um detalhe”), você faz uso típico da camisinha.

Ah, mas isso faz diferença? Como veremos daqui a pouco, SIM, isso faz diferença, e dependendo do contraceptivo, faz MUITA diferença.

 

Taxa de falha e taxa de eficácia

 


Taxa de falha é a porcentagem de mulheres que têm uma gravidez indesejada durante o primeiro ano usando um determinado contraceptivo.

Taxa de eficácia é a porcentagem de mulheres que NÃO têm uma gravidez indesejada durante o primeiro ano usando um determinado contraceptivo.


 

Uma é o complemento da outra: se a taxa de falha de um contraceptivo é 1%, isso significa que a taxa de eficácia do mesmo contraceptivo é 99%.

Importante reforçar: essas taxas se referem à porcentagem de mulheres que engravidam ou não usando determinado método, durante o primeiro ano de uso. Ou seja, uma taxa de falha de 1% diz que 1 em cada 100 mulheres engravidam usando aquele método, durante o primeiro ano de uso.

 

Contraceptivos e suas taxas de falha com uso perfeito e uso típico

Esta seção inclui um resumo básico de cada contraceptivo, e suas taxas de falha (de acordo com Contraceptive Technology e Wikipedia).

Lembrete: os únicos contraceptivos que também oferecem proteção contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) são a camisinha masculina e a camisinha feminina.

 

Sem contraceptivo

Quando nenhum contraceptivo é usado, 85% das mulheres engravidam durante o primeiro ano.

 

Espermicida

  • O que é: substância que mata os espermatozoides, aplicada na vagina. Disponível em forma de gel, creme, supositório vaginal e filme vaginal. Deve ser aplicado antes da relação.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 18%.
  • Taxa de falha com uso típico: 28%.

 

Contraceptivos de barreira

Estes contraceptivos agem como barreira física, impedindo que os espermatozoides cheguem até o útero. Podem já conter espermicidas ou ser usados junto com espermicida extra, aplicado à parte.

Camisinha masculina

  • O que é: um capa que cobre o pênis e coleta o sêmen, feita de látex, poliuretano, poliisopreno, ou pele de carneiro. Uso único, descartável. Deve ser colocada e retirada no momento da relação e logo depois, com o pênis ereto.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 2%.
  • Taxa de falha com uso típico: 18%.

Camisinha feminina

  • O que é: uma capa que forra a vagina, cobre parcialmente a vulva, e coleta o sêmen; feita de poliuretano, nitrilo, ou látex. Uso único, descartável. Deve ser colocada e retirada no momento da relação e logo depois.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 5%.
  • Taxa de falha com uso típico: 21%.

Diafragma

  • O que é: um disco feito de poliuretano ou látex, que é colocado na vagina, e cuja borda forma um vácuo, tampando o colo do útero. Lavável e reutilizável, dura de 1 a 3 anos. Pode ser usado junto com espermicida (colocado no côncavo do diafragma antes de inserir na vagina, e diretamente na vagina após a inserção do diafragma). Pode ser colocado algumas horas antes da relação e deve permanecer na vagina por algumas horas depois da relação, antes de ser retirado.
  • Taxa de falha com uso perfeito (com espermicida): 6%.
  • Taxa de falha com uso típico (com espermicida): 12%.

Capuz cervical

  • O que é: um “copinho” feito de látex ou silicone, que é colocado na vagina, e se encaixa no colo do útero. Lavável e reutilizável, dura de 1 a 2 anos. Pode ser usado junto com espermicida (colocado dentro do capuz cervical antes de inserir na vagina, e diretamente na vagina após a inserção do capuz cervical). Pode ser colocado algumas horas antes da relação e deve permanecer na vagina por algumas horas depois da relação, antes de ser retirado.
  • Taxa de falha com uso perfeito (com espermicida): 9%, para mulheres sem filhos; 26%, para mulheres com filhos.
  • Taxa de falha com uso típico (com espermicida): 16%, para mulheres sem filhos; 32%, para mulheres com filhos.

Esponja contraceptiva

  • O que é: uma esponja contendo espermicida, que é colocada na vagina, tampando o colo do útero. Uso único, descartável. Pode ser colocada algumas horas antes da relação e deve permanecer na vagina por algumas horas depois da relação, antes de ser retirada.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 9%, para mulheres sem filhos; 20%, para mulheres com filhos.
  • Taxa de falha com uso típico: 16%, para mulheres sem filhos; 32%, para mulheres com filhos.

 

DIU (dispositivo intrauterino) de cobre

  • O que é: dispositivo de cobre inserido dentro da cavidade do útero. A inserção e a remoção devem ser feitas por um profissional de saúde devidamente capacitado. O dispositivo fica dentro do útero, por até 10 anos. O cobre age como espermicida, e a presença do DIU pode impedir a implantação do embrião no útero.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,6%.
  • Taxa de falha com uso típico: 0,8%.

 

Contraceptivos Hormonais

Hormônios sintéticos, similares mas não idênticos aos hormônios naturais estrógeno e/ou progesterona, são usados pra alterar ou mesmo suprimir o ciclo menstrual: inibir a ovulação, mudar as características do fluido cervical (impedindo a sobrevivência e passagem dos espermatozoides), e alterar a padrão de crescimento do endométrio (tornando-o impróprio para a fixação do embrião). Os contraceptivos hormonais variam quanto ao tipo e dosagem dos hormônios sintéticos.

Contraceptivos hormonais podem ser adquiridos em postos de saúde e farmácias, mas antes de iniciar o uso, é importante consultar um profissional de saúde, que pode solicitar exames e avaliar o histórico de saúde, pra determinar qual tipo é recomendado. Pra pessoas acima de 35 anos, fumantes, com histórico pessoal ou familiar de problemas de coagulação, entre outras questões de saúde, nem todos os contraceptivos hormonais podem ser usados.

Pílula

  • O que é: pílulas contendo hormônios sintéticos similares ao estrógeno e à progesterona. Deve ser tomada uma pílula por dia, com um atraso de não mais de 12 horas.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,3%.
  • Taxa de falha com uso típico: 9%.

Minipílula

  • O que é: pílulas contendo somente hormônio sintético similar à progesterona. Deve ser tomada uma pílula por dia, com um atraso de não mais de 3 horas.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 1,1%.
  • Taxa de falha com uso típico: 13%.

Injeção

  • O que é: injeção contendo hormônios sintéticos similares ao estrógeno e à progesterona (tomada a cada mês), ou contendo somente hormônio sintético similar à progesterona (tomada a cada três meses).
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,2%.
  • Taxa de falha com uso típico: 6%.

Implante

  • O que é: implante contendo somente hormônio sintético similar à progesterona, inserido no braço, onde permanece por até 3 anos. A inserção e remoção devem ser feitas por um profissional de saúde.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,05%.
  • Taxa de falha com uso típico: 0,05%.

Adesivo

  • O que é: adesivo contendo hormônios sintéticos similares ao estrógeno e à progesterona, colado nos braços, nádegas, abdômen ou coxas. Deve ser trocado uma vez por semana.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,3%.
  • Taxa de falha com uso típico: 9%.

Anel

  • O que é: anel de plástico contendo hormônios sintéticos similares ao estrógeno e à progesterona, colocado na vagina, onde fica por 3 semanas.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,3%.
  • Taxa de falha com uso típico: 9%

DIU hormonal

  • O que é: semelhante ao DIU de cobre, mas ao invés de cobre contém apenas hormônio sintético similar à progesterona, inserido dentro da cavidade do útero. A inserção e a remoção devem ser feitas por um profissional de saúde devidamente capacitado. O dispositivo pode ficar dentro do útero por 3 a 5 anos.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,2%.
  • Taxa de falha com uso típico: 0,2%.

 

Esterilização

Vasectomia

  • O que é: cirurgia de esterilização masculina onde os canais deferentes são cortados e fechados, de forma a bloquear a passagem dos espermatozoides. O efeito é permanente.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,10%.
  • Taxa de falha com uso típico: 0,15%.

Laqueadura

  • O que é: cirurgia de esterilização feminina onde as tubas uterinas são cortadas e fechadas, de forma a bloquear a passagem do óvulo. O efeito é permanente.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,5%.
  • Taxa de falha com uso típico: 0,5%.

Métodos comportamentais

Amenorreia lactacional

  • O que é: infertilidade temporária que acontece naturalmente no período pós-parto quando a mãe amamenta o bebê, desde que se obedeçam certos critérios (o bebê tem menos de seis meses, a mãe não voltou a menstruar nesse período, o bebê se alimenta exclusivamente de leite materno por meio da amamentação e sem uso de mamadeira, o bebê deve mamar pelo menos a cada 4 horas durante o dia e 6 horas durante a noite).
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,5%.
  • Taxa de falha com uso típico: 2%.

Coito interrompido

  • O que é: o homem retira o pênis da vagina antes da ejaculação, e toma cuidado para que o sêmen não caia perto da vulva.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 4%.
  • Taxa de falha com uso típico: 22%.

Métodos baseados na percepção da fertilidade

Esses métodos, como já vimos, se baseiam no fato de que a ovulação acontece apenas uma vez durante o ciclo menstrual. Combinando a expectativa de vida do óvulo com a expectativa de vida dos espermatozoides dentro do sistema sexual e reprodutor feminino, temos o período fértil do ciclo menstrual. Os métodos baseados na percepção da fertilidade buscam determinar quando é o período fértil, e podem ser usados tanto como contraceptivos quanto para engravidar. Estes métodos também permitem saber quando é a próxima menstruação.

Como contraceptivo, durante a fase fértil, é preciso evitar qualquer forma de sexo (abstinência), ou fazer outras formas de sexo que não envolvam contato pênis-vulva/vagina, ou usar métodos de barreira (que podem ser combinados entre si ou com coito interrompido).

As taxas de falha com uso perfeito informadas aqui são específicas pra cada método e com abstinência durante a fase fértil. Já a taxa de falha com uso imperfeito é a mesma pra todos os métodos, porque nas pesquisas ela não é estudada individualmente para cada método, e sim para todos os métodos juntos.

Métodos baseados no calendário

Esses métodos se baseiam em observar e registrar a duração do ciclo menstrual (contando o primeiro dia de menstruação como o primeiro dia do ciclo) e no fato de que a menstruação sempre vem aproximadamente 14 dias depois da ovulação. Com isso, teoricamente, é possível calcular aproximadamente quando foi a ovulação, e portanto, o período fértil. O que os métodos de calendário fazem é usar os dados de ciclos menstruais do passado pra tentar predizer os ciclos menstruais do futuro.

Tabelinha

  • O que é: também conhecida como método rítmico ou método de Knaus-Ogino, foi o primeiro método baseado no calendário, desenvolvido em 1930.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 9%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Cycle Beads

  • O que é: mais recente, desenvolvido em 2002, esse método baseado no calendário só vale para mulheres com ciclos menstruais de duração entre 26 e 32 dias.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 5%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Métodos baseados em sinais de fertilidade

Esses métodos se baseiam em observar e registrar a duração do ciclo menstrual, e principalmente, em observar e registrar, dia a dia, os sinais primários de fertilidade. Os sinais de fertilidade são sintomas que refletem do lado de fora as mudanças que acontecem dentro do corpo durante o ciclo menstrual, e entre eles, os principais são o fluido cervical e a temperatura basal. 

O fluido cervical é um fluido natural e saudável produzido pelo colo do útero (ao contrário do corrimento não-saudável que pode indicar irritação e doenças), que permite a passagem dos espermatozoides e aumenta a sobrevivência deles dentro do sistema sexual e reprodutor feminino. O fluido cervical muda em quantidade, cor e textura ao longo do ciclo menstrual, indicando se a ovulação está próxima, prestes a acontecer, ou já aconteceu naquele ciclo.

A temperatura basal é a temperatura do corpo em estado de repouso, medida com um termômetro adequado logo após acordar e antes de se levantar. A temperatura basal reflete o metabolismo do corpo, que é afetado pela ovulação. Então, a mudança no padrão da temperatura basal indica que a ovulação já aconteceu naquele ciclo.

Temperatura basal

  • O que é: método baseado apenas na temperatura basal, considera como período infértil somente os dias entre a confirmação da ovulação (a partir do terceiro dia de temperaturas elevadas) e a menstruação.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,3%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Método de ovulação Billings

  • O que é: método baseado no fluido cervical.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 3%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Modelo Chreighton

  • O que é: método também baseado no fluido cervical.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 0,5%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Método dos Dois Dias

  • O que é: método também baseado no fluido cervical, mais simples que o Método de ovulação Billings e o Modelo Chreighton.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 4%.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

Método sintotermal

  • O que é: o método sintotermal é baseado no fluido cervical, na temperatura basal, e opcionalmente no colo do útero. Sinais de fertilidade secundários, como dor de ovulação, dor e sensibilidade nas mamas e nos mamilos, e inchaço nas mamas e na vulva, também podem ser levados em consideração, como complemento.
  • Taxa de falha com uso perfeito: 2%, seguindo as regras básicas do método; e 0,4%, seguindo regras mais rigorosas, como as deste estudo.
  • Taxa de falha com uso típico: 24%.

 

Taxa de falha não é tudo!

Também é fundamental levar em consideração outras informações de cada contraceptivo, como o mecanismo de funcionamento, a forma correta de usar, e as suas indicações e contra-indicações. Pra isso, é importante ler as bulas e instruções dos fabricantes, buscar orientação e tirar dúvidas com profissionais de saúde, e pesquisar em boas fontes impressas e online.

Recomendo várias fontes aqui, e além delas, também sugiro as páginas sobre contraceptivos da Wikipedia em português e inglês, e a lista de contraceptivos da organização Planned Parenthood, em inglês. Também pretendo falar sobre isso em outra série de textos aqui no blog.

 


O seu contraceptivo deve se adequar ao seu corpo e ao seu estilo de vida.


 

Um certo contraceptivo pode ser ótimo em termos de taxa de falha (ou seja, ter uma taxa de falha baixíssima), mas isso não vai adiantar nada se você não puder usá-lo por questões de saúde. Também não vai adiantar nada se você não souber ou conseguir usá-lo corretamente (se você vive no mundo da lua, vive se esquecendo de compromissos e perdendo seus pertences por aí, provavelmente vai ser muito difícil pra você achar e lembrar de tomar a pílula todos os dias!).

 

Nenhum contraceptivo é infalível!

Você reparou que nenhuma das taxas de falha é 0%?

Pois é, nenhuma. Mesmo com uso perfeito.

Ou seja…

 


NENHUM CONTRACEPTIVO É INFALÍVEL!

NENHUM CONTRACEPTIVO FUNCIONA 100%!

TODO CONTRACEPTIVO TEM CHANCE DE FALHAR, MESMO QUANDO USADO PERFEITAMENTE!


 

Sim, tudo em maiúsculas, gritando, porque essa informação é fundamental.

Então, aquela frase “hoje em dia tem tantas opções, só engravida quem quer” está absolutamente errada, além de mostrar uma profunda falta de respeito e empatia.

 

Conhecimento é poder

Você reparou como, pra certos contraceptivos, a taxa de falha com uso típico é bem maior que a taxa de falha com uso perfeito? E que, pra outros, a diferença é minúscula?

 


Quanto mais o contraceptivo exige, em termos de manutenção, maior vai ser a diferenca entre as taxas de falha com uso típico e uso perfeito.


 

O DIU exige consultas periódicas ao médico pra saber se ele está no lugar certo, e deve ser trocado após 10 anos. Já a camisinha deve ser colocada em cada relação, e deve ser trocada a cada ejaculação masculina. Assim, podemos dizer que a manutenção da camisinha é mais exigente que a manutenção do DIU. Mas isso não significa que quem escolheu usar camisinha necessariamente vai ter uma taxa de falha de 18%, que é a taxa de uso típico. Se essa pessoa tiver disciplina pra seguir a manutenção do método, ela vai conseguir ter uso perfeito (ou pelo menos chegar bem perto).

Além da disciplina pra manutenção, outro fator importante é o conhecimento. Lembra da definição de uso perfeito lá no começo do texto? Não basta só usar o contraceptivo sempre, tem que usar de forma correta. E aqui entra a questão do aprendizado.

Pra alguns contraceptivos, é muito simples aprender a usar de forma correta. Basta ler as regras, que são facilmente acessíveis, e quem sabe treinar uma ou duas vezes, e pronto. Já pra outros, como o método sintotermal, as informações não estão disponíveis em qualquer lugar, e o aprendizado leva um pouco mais de tempo.

Por isso, no próximo post, vou dar dicas de onde e como aprender o método sintotermal. Não perca! =)
Veja aqui a continuação desta série:

Percepção da fertilidade: Parte 6 – Como aprender o método sintotermal?

 

  • Pingback: Percepção da fertilidade: Parte 4 - O método sintotermal()

  • Suzane

    Como sempre, texto muito bom, bem escrito, super informativo. Muito obrigada por compartilhar conosco. =)

  • Aline Silva Teixeira

    Esperando anciosa por mais informações sobre metodo sintotermal!!
    Parabens pelo texto, mega explicativo.

  • Pingback: Percepção da fertilidade: Parte 6 - Como aprender o método sintotermal?()

  • Pingback: Apps pro ciclo menstrual: o problema e a solução()

  • Pingback: Mitos e fatos sobre a menstruação()

  • Bruna Kloppel

    Oi! Será que vc poderia compartilhar a fonte dessas informações? Obrigada!

  • Kelly Vasconcelos

    Oi!
    Muito obrigada por compartilhar! Seu texto é muito bom e didático =)

    Estou com uma dúvida. Antes de começar a pesquisar eu tinha começado a medir minha temperatura debaixo do braço mesmo, com um termômetro de mercúrio de 0,1 de precisão, ainda posso considerar essas informações ou elas são totalmente descartáveis?
    E enquanto eu não tiver um termômetro basal posso medir a temperatura da boca com o meu termômetro ou isso não é suficiente?

    Obrigada!

    • Obrigada, Kelly! =)

      Olha, até onde sei, a maioria das referências sobre o método sintotermal recomenda medir via oral ou vaginal. Mas eu não descartaria essas medidas que você já tem, apenas deixaria registrado como foram feitas. Pra evitar confusão, o ideal é continuar medindo da mesma forma (com um mesmo termômetro, no mesmo local) até o final do ciclo, e só mudar (de termômetro, de local) no ciclo seguinte.

      Enquanto não tiver o termômetro basal, pode medir com seu termômetro, sim!

  • Priscila Rocha

    Oi! To lendo seus textos e super interessada!
    Tomo AC há muitos anos, e to querendo muito parar!
    Sabe me dizer do APP Natural Cycles? Ele é eficaz? Funciona legal?
    Queria muito saber sobre ele, ou se você recomenda uma outra alternativa parecida.
    Obrigada!
    Beijão!

    • Obrigada, Priscila! =D

      Apesar de eu não ter usado o Natural Cycles, conheço o aplicativo e tenho contato com mulheres que já usaram. O Natural Cycles tem como base o método da temperatura basal, e, se usado corretamente (o aplicativo faz uma série de recomendações sobre como e quando medir a temperatura, entre outras!), parece ser eficaz, sim. Como pra qualquer contraceptivo, o fundamental é saber quais são as regras, e ter disciplina pra segui-las!

      Pra muita gente, o Natural Cycles parece ser ótimo por dar uma sensação de segurança (“não sou eu que estou interpretando os dados do meu ciclo menstrual pra saber se estou no período fértil, é o algoritmo do aplicativo”). Por outro lado, pra outras pessoas, é justamente isso o que pega: elas começam a usar o aplicativo e ficam curiosas (“peraí, EU quero aprender a interpretar os meus próprios dados!”), e querem “tomar as rédeas” da própria fertilidade.

      Sei que nem todo mundo vai querer ou se sentir confiante pra “tomar as rédeas” da própria fertilidade. Mas acredito que todas as pessoas e em especial as mulheres tem o direito (e a capacidade!) de pelo menos entender o básico sobre como funciona o ciclo menstrual. Tendo esse conhecimento, cada mulher teria plenas condições de decidir se quer continuar usando esse aplicativo (e tudo bem se essa fora a decisão dela), ou se quer tentar algo diferente, como, por exemplo, o método sintotermal (e tudo bem também)! Ela ficaria livre pra tomar uma decisão informada e consciente. =)

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